O que são os buracos negros e como eles se formam

Um buraco negro tem uma atração gravitacional tão intensa que nada, nem mesmo a luz, pode escapar dele.

 

A "superfície" de um buraco negro, chamada de horizonte de eventos, define o limite onde a velocidade necessária para escapar excede a velocidade da luz, que é o limite de velocidade do cosmos. A matéria e a radiação entram, mas não conseguem sair.

 


Duas classes principais de buracos negros foram amplamente observadas. Buracos negros de massa estelar com três a dezenas de vezes a massa do Sol estão espalhados por nossa galáxia, a Via Láctea, enquanto monstros supermassivos pesando de 100.000 a bilhões de massas solares são encontrados no centro da maioria das grandes galáxias, incluindo a nossa.

 

Um buraco negro de massa estelar se forma quando uma estrela com mais de 20 massas solares esgota o combustível em seu núcleo e colapsa sob seu próprio peso. O colapso desencadeia uma explosão de supernova que explode as camadas externas da estrela. Mas se o núcleo esmagado contém mais de cerca de três vezes a massa do Sol, nenhuma força conhecida pode impedir seu colapso em um buraco negro. A origem dos buracos negros supermassivos é mal compreendida, mas sabemos que eles existem desde os primeiros dias da vida de uma galáxia.


Uma vez formados, os buracos negros podem crescer agregando matéria que cai neles, incluindo gás extraído de estrelas vizinhas e até mesmo de outros buracos negros.

Em 2019, astrônomos usando o Event Horizon Telescope (EHT) - uma colaboração internacional que conectou oito radiotelescópios terrestres em uma única antena do tamanho da Terra - capturaram a imagem de um buraco negro pela primeira vez. Ele aparece como um círculo escuro sombreado por um disco orbital de matéria quente e brilhante. O buraco negro supermassivo está localizado no coração de uma galáxia chamada M87, localizada a cerca de 55 milhões de anos-luz de distância, e pesa mais de 6 bilhões de massas solares. Seu horizonte de eventos se estende tanto que poderia abranger grande parte de nosso sistema solar muito além dos planetas.

 

Já entendemos que a velocidade de escape de um buraco negro é superior à velocidade da luz. Mas por quê? Como podemos ter certeza disso apenas pela matemática? Na verdade, é muito simples. A Terra tem mais força gravitacional que a Lua, e o Sol tem mais força gravitacional que a Terra, e assim por diante, porque quanto mais massivo o corpo gerador dessa força, maior velocidade teríamos que atingir para escapar desse corpo.

Partes de um buraco negro:
 

Singularidade: é o centro do buraco negro, um ponto unidimensional onde a densidade e a gravidade se tornam quase infinitas.

 

Horizonte de Eventos: é a fronteira teórica em torno da singularidade, a partir da qual a velocidade de escape é maior que a velocidade da luz.

 

Disco de acreção: ele não faz exatamente parte do buraco negro, mas está lá e é uma das únicas coisas que podemos ver de fato. Trata-se de um anel formado por gases superaquecidos e plasma que fica orbitando em torno do horizonte de eventos. Alguma parte será consumida, enquanto outras podem ter um destino muito mais emocionante, como veremos a seguir.

 

Jatos relativísticos: uma parte da matéria no disco de acreção será arremessada na forma de jatos em velocidade próxima à da luz. Os jatos podem ser sutis ou ter um brilho muito intenso.

 

Apesar de já conhecermos bastante a respeito de buracos negros, muitas perguntas continuam sem respostas. Por exemplo, se não existe singularidade, o que há dentro dos buracos negros? Será que eles são, de fato, buracos, e podem levam para algum outro lugar no universo? Há cientistas que afirmem que talvez sim, inclusive.


Mas ainda há muito o que explorar sobre o assunto, afinal, a ciência sobre isso está acontecendo agora, em tempo real, e temos a chance de acompanhar tudo isso em primeira mão!


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